domingo, 11 de fevereiro de 2018

Sangue

Por que você some?

Eu machuquei meus tímpanos, quando cocei as orelhas com o bocal da caneta. Sangrou. Deu pra sentir com as pontas dos dedos. Solto sangue. Mas, que minutos depois coagulou e grudou nas pontas dos meus dedos. Ver isso, suspendeu minhas ideias. Lembrei do sangue que escorre todo mês. Que sou bem indiferente a esse. Que sei que doí mais, bem mais. Porque é sangue que anuncia a dor. O vermelho vivo, intenso e morto ao mesmo tempo. Cheira a ferro e a podre sem demora. Prenúncio da vida, da doença e da morte. Não sei se é imagem, ou, gosma. Mas, representa e é o que é. O gosto da boca partida que a cada gole da saliva se quer apagar. Úmida ferida aberta. Cicatriza? E logo virá outra. É se esbarrar num prego, o roçar da batata da perna na descarga da moto, o joelho no concreto, as mãos arranhadas depois do afago na gatinha de estimação. Sangra por amor. Por lutar. Por viver. Se fortalece com as transfusões negadas pelos fanáticos cristãos, que preferem beber o sangue de cristo em ocasiões especiais, a galinha a molho pardo, o pescoço do frango cortado e posto no tacho para o deus Exu, nas encruzilhadas da vida. O sacrifício é o sal da terra vermelha, rachada, sedenta de vida. Que engole a gente por pura terrafagia e nos alimenta, pois fertiliza as culturas que dela brotam. Raízes de urucum vibrantes sob a luz do sol. Que raia e se põe na dor latejante que se esvai por si, por fim.   

sábado, 23 de dezembro de 2017

My english...




Quando você se atraí por algo completamente incompreensivo para você, tipo eu e The Strokes...under cover of darkness! Yes baby, i don't know...mas, não sei por que na época eu curtia, bem mais do que hoje, e não lembro ter me interessado por traduções! Pois, anos depois dei uma checada nisso e "bingo" - alguém além de minha avó com Alzheimer, caso lembrasse ainda usa tal expressão? São letras, "desesperadas", de alguém que tá perdido, depressivo, muitas vezes deixando a vida atropelar de forma raivosa, ou melhor, no fio da navalha - os relacionamentos sempre nesse fio, algo se cortando, algo racha quiçá, para nunca mais - a dúvida fica no ar, mas o momento é visceral! Faz sentido! Além da rouquidão da voz rasgada, das guitarras, baixo, bateria...e pops trônicos bem progressivos, dava para embarcar naquela dor que eu nem sabia que um dia seria minha, ou já era, e eu me anestesiava ouvindo, cantando, viajando em bolhas de imaginação e suor, principalmente quando só bastava a pista e as luzes e aquela vontade estúpida de fazer xixi e encontrar uma paixão no banheiro antes de puxar a descarga e jamais lavar as mãos e era assim minha barely legal...E se someday reptilia...a gente tivesse se conhecido em um noite dessas, e se você quisesse me jogar fora da estrada, por eu ter ido rápido demais...lembrou de não me culpar: entre juicebox and you onle live once!

  

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Acabou o chorare

Tive que te conhecer para me dar conta de coisas sobre mim que havia abandonado. Coisas que me disse de você e eu simplesmente me vi. Tive que te ouvir, te ler, quando te vi, segui vendo, mas para você não fora o que foi para mim. Não te culpo. Agradeço. Eu sofro de adivinhação. A cada identificação: eu chutei: sobre você ser minha "alma gêmea". Nem diga o quão cafona eu sou, por em poucas palavras já por as cartas do meu destino a mesa assim. E para completar o seu sorriso! Sorriso que lembrava o do meu segundo amor platônico. Pessoa, que só de lembrar minhas bochechas fazem covinhas de felicidade - e ela, nem sabe, que eu existo...como devem ser os amores platônicos. Já você, vulga "alma gêmea", nem esperou esquentar em meu peito o que escapava dos meus dedos, dedos, dedos, que você soube aproveitar...tentei, juro que tentei, me deliciar com os seus, mas não deu...havia algo desconexo com os nossos corpos, algo que não estabelecia diálogo apesar do atrito e do afago. Eu não consegui te fazer um bom cafuné, porém amei tocar os seus cabelos e sentir o cheiro e perguntar do seu shampoo! Pois é...o silêncio nos sufocou! Mas, você me dizer que não é de dizer, você me dizer que não é de interagir, ou de sair, você me dizer que curte musicais, você me dizer ser chata e problemática, dizer que faz terapia e que não consegue concentrar para escrever, embora ame, ame ler e presentear livros, dizer que tem dois irmãos e poucos amores, paixões e amigos, que prefere dormir a ir para balada, que tem medo de pegar a estrada...que gosta do conforto da sua casa e dos sucos da casa da sua melhor amiga e me dizer que não esta preparada, que ainda não, e agradecer pela "aventura"...mesmo sendo tímida, e mesmo tendo odiado o barulho da cama e a falta de box no banheiro...moça, você disse tanto! Disse mais e eu encanto...qual sua fruta favorita? Banana! - ah, odeio manga! hum...eu amo manga! - é minha fruta sexual favorita! Moça, você disse tanto...tanto que eu queria ficar te ouvindo em silêncio...eu quis o silêncio, porque eu ainda estava apaixonada! Moça, você cavou minha cova e fez o que jamais saberá por mim: fez acabar o chorare! Acabou o chorare...Você se foi e eu não pude ficar...admiro sua coragem para não deixar eu sofrer por você! E assim, ela me ganhou para vida ^.^

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Presente de aniversário.

Ao reler um texto percebi um erro, e questionei: óh quanta diferença faz nos sentidos a troca de uma letrinha, "eLa/eRa", curioso tal qual o erro do tempo verbal, que deve ter A VER com ansiedade, que atropela o raciocínio lógico...Rrr..ri, do rio, raso...choro engasgado cachoeira abaixo.

Tudo isso para perguntar: conhece o Philip? Quem? O Philip com PH. O velhinho é um estrondo, desses que são som e fúria. Deveria conhecer, o sobrenome dele é, acho que é, Glass. E se teletransportar, vai de elevador. Leva uns lencinhos no bolso e ver nu que dá. 

sábado, 24 de dezembro de 2016

O poder mágico do café!


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...mal acordada brotam lágrimas diante das cores da TV. Talvez seus sons, algumas mensagens afetivas de natal, um sorriso marginal que despertou alguma lembrança ou sonho de dias melhores. Agarrei-me ao terço da minha mãe, velho, castigado, marrom e tão forte. Não por ter fé, tenho pouca, mas pela sensação confortável daquelas contas passando pelos meus dedos finos e lentos. Ao certo a incerteza de por quê isso e de pronto mais lágrimas e paz. Sinto uma exortação, um esvaziar do próprio vazio momentâneo. O trânse é interrompido por mais vozes da mãe dizendo algo sobre a cozinha e cozinhar, da TV falando coisas que não me detive. Respondo algo que também escapam aos sentidos. Penso no poder do café, mal acordada e volto ao banheiro, arranco as roupas e canto, um canto meu, uma invenção qualquer, algo que gravo e sigo inventando o quê chamo de música. Isso alegra e preenche, pois arromba as portas dos meus sonhos mais íntimos, profundos, genuínos ao passo que bobos. O quê se busca encontra-se eternizado em si, tal qual um poder mágico. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Registro

Estraguei tudo. É só o quê sei fazer isso. The end. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A cena


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Não sei porque, mas sempre em movimento, em trânsito como epicentro. Estava andando pela rua distraída, sem muito me deter a nenhum pensamento, segurava um livro que estava lido até a metade, tinha acabado de atingir a página 150, 50 laudas só no consultório médico.  Meu objetivo era chegar a banca de revistas. Nos esbarramos, o livro caiu das mãos, nos abaixamos para pegá-lo e nesse ato nos entre olhamos pela primeira vez, ali vi um brilho intenso e dissemos ao mesmo tempo “desculpa”. Levantamos e acenei com a cabeça um sim, de tudo bem, nos demos as costas e logo viramos, também ao mesmo tempo, as cabeças para trás, mesmo os nossos corpos indo, os nossos olhares tramavam ficar um pouco mais. Milésimos de segundos, tempo suficiente para eu me apaixonar (não posso falar por ela, mas penso que foi recíproco). Parei e me voltei em sua direção, ela viu e parou ao meu sinal. Troquei algumas palavras dizendo ela que meu gesto parecia loucura, mas mesmo assim eu iria arriscar e pedi seu número de WhatsApp. Não existia mais coração em mim, mas um liquidificador velocidade máxima, não deu para conter o suor frio e as mãos trêmulas, algo bem primeiro amor, desses que falta oxigênio no cérebro e dificulta o processamento das ideias. Outros milésimos de segundos, verdadeira eternidade.  Ela disse “tudo bem” e foi dizendo o número. O nervoso aumentou e mesmo com as vistas embaçadas conseguir digitar e salvar na minha agenda. Nos despedimos com o meu obrigada e sinalização de que a mandaria uma mensagem. Dali em diante a euforia e o medo me invadiram, com mil “sis” na cabeça e o coração galopante. Esqueci da banca de jornal, entrei em um jardim, avistei uma sombra e sentei embaixo da árvore. Precisava respirar.