sexta-feira, 24 de junho de 2016

Dos tempos 17.

Vamos lá.


Há uns três dias que sinto um cheiro de chulé! Aqui dessa posição que me deito na cama. Quarto frio, amplo. Mas, não tenho chulé! O que pode ser? Se não passar até eu voltar irei investigar. Mas, o que pode ser? Uma bola de mofo gigante, que pelo odor já teve ter tomado o colchão. Nossa, como isso é nojento, um campo de futebol de botão em forma de mofo! Idiota, não? Agora, o mofo vira ideia fixa, e penso que qualquer dia não acordarei mais, pois o mofo da cama me cobrirá como fez com o colchão e morrerei asfixiada! Um tanto dramático. Agora me sinto nauseada e entalada pela ideia fixa e paralisante do mofo. Acredite é uma sensação horrível, uma verdadeira bad! Viagem ruim, e ás vezes, penso que sem volta. Sobretudo, rs, palavra engraçada! Quando não controlo mais os pensamentos. E ao escrever lembro o tanto que gostava de escrever. E que uma dia quis escrever um livro. A vontade aumentou depois que conheci o Caio, não, não era qualquer Caio, mas o Caio F....é, ele mesmo o Caio Fernando de Abreu! Sabe que não consigo lembrar como o conheci, mas lembro que foi um dos melhores encontros da minha vida. Alguém que finalmente traduzia o que eu sentia calada e de forma subterrânea. Ele via e vivia tudo que vivi e queria viver. Até a dor, de forma disfarçada sobre o admitir-se amar. Metafórico, viajado, o quê foram aqueles seres de luz naquele conto do Ovo Apunhalado? Tudo era estranho e curiosamente atraente. Cada palavra atravessada por sensações! Tesão. Nem Jorge Amado conseguiu arrancar de mim algo parecido (só anos bem depois eu entenderia porquê!). A sensação mais apropriada, talvez seja, excitação. Conexão. Ele escrevia o que eu pensava. E eu me envolvia cada vez mais. Até que: passamos a esconder o meu maior segredo. Ou seria abrigar, ou seria compartilhar. Na época eu estava apaixonada. E ela também parecia estar. Ambas o amávamos. Parecia mesmo um triângulo amoroso. Ela também queria escrever um livro. Nós éramos jovens e até tentei escrever um livro. Coisas do amor. Um livreco sem pé nem cabeça. Para começar nem existia uma “história” propriamente dita; Eu achava que simplesmente tinha que acontecer. Brotar dos sentimentos e deixar os dedos fluírem. Tipo sexo lésbico selvagem. Aquilo parecia um vício! Não, não o sexo lésbico (isso é o paraíso), mas aquela química entre eu, ela e o Caio F., Samambaia, uns dos contos dele, ou crônica, das que mais gostávamos. Eu tinha audácia, gostava de arriscar e me achava muito boa ( um tipo pseudo intelectual juvenil, pela carga de leitura, até que passava, mas nunca fui isso e Joel Rufino, outro caro, me ajudou a confirmar anos depois que nunca fui, nem serei uma intelectual – outro que pensa o que eu sempre pensei). Ela ainda elogiava uma poesia e outra que escrevia, ou música, só de lembrar sinto vergonha o tão patético que era, eu era letrista! Ou achava que era! Cantora de banda de rock. Gente, agora entendo o que é a verdadeira amizade e até mesmo o amor! As pessoas que ouviam aquilo, que eu chamava de música, deviam me amar...e por que? Putz, eram porcarias adolescescas! E psináticas!!!  O fato é que nunca tive talento, apenas um pouco de imaginação! E muito sonho! Falando assim, me dá tristeza. Acho que parei com tudo isso. Ou melhor, abandonei. Quando eu tinha os cabelos grandes, me recordo de um brinco de pena indígena que comprei dos pataxós na faculdade, que eu simplesmente amava! Algo atípico, pois nunca gostei de nada ornamental e feminino. Usei por anos, até que os perdi, nem sei como. Sentia falta, doeu até, só que esqueci. Era como uma mácula. Se si apegar sumirá! Pois bem, repetidamente vivia perdendo os brincos que gostava. Não sei como, com as pessoas também é um pouco assim. Amigos, familiares, amores. Meu eterno desleixo. Desconfio que não gosto de outras gentes. Ou que não gosto de mim. E falo apenas por obrigação. Odeio falar, principalmente quando falo demais. Esse homo. Humano demasiadamente humano.  Nunca li. O odor persiste no ar. Não virarei o colchão. O mofo vigora no inverno.

Antagonista de Alexandra.  

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dos tempos 16: Combinado!


Resultado de imagem para colcha de retalhos

De ano em ano apareço por aqui. Não está escrito, não houve pacto, nem mesmo velado. Algo me atraí a este baú de recordações, ou seria invenções? Não sei (minha frase mais comum!). Mas, sinto, meu peito acelera e minha respiração fica ofegante, aqui reúno todas vocês (paixões, amores, frustrações, raivas, dores...tudinho!). Se fossem retalhos teríamos mesmo uma colcha linda de tão colorida! Os dedos correm rápido pelo teclado. Meus pés, seguem gelados. A sensação é quase a mesma, estranheza, confusão, paixão...o que resultará? Não sei (outra vez).  Sinto que cavo o poço com as mãos e cada vez mais sou atraída para dentro dele. E o pior é que arrasto tudo ao redor. Aiai, coisas que persistem, esse comportamento destrutivo e asfixiante. Não adianta reinventar, parece erva daninha, quanto mais corta, mais cresce. Esses dias, pensei em viajar. Mas, ainda me nego a fazer planejamentos, embarco numa furada! Só deu certo uma vez, por que já nem sei! Exceto por eu ter estragado algo que seria uma bela amizade de verão, sol, cachoeira e a maçã mais gostosa da minha vida. Parecia um sonho, até que foi, mas a ansiedade destrutiva fincou a unha rasgando tudo. Ah isso doeu. Minha capacidade de ser infantil se supera! Como agora: eu a pressiono, a sufoco, ajo como uma idiota insensível, egoísta que parece que não passou por isso! Chego a ser cruel. Ela se culpa, tenta entre um desabafo e outro achar o erro (em si). Reconheço minha maldade, na verdade, esquizofrenia, a peço que não se culpe ou se desculpe (se repete)! Ela não compreende, afinal adora contestar tudo, e isso não me ajuda, me estressa, e meto os pés pelas mãos, ou melhor, não seguro os pensamentos, a língua e falo (o desnecessário). Ela revida, diz que sou grossa, chata (demasiadamente chata! - que horror, se ver pelas lentes do outro!), eu me calo. Fico pensando, por que estamos nessa?! Reflito friamente: você deixou de gostar de mim, essa de dizer que não presta e que mereço alguém melhor, que me faça feliz! Ah, isso é um sinal apocalíptico dos fins dos tempos! A essa altura, ela se sente louca e eu também (tenho a sensação que a minha história se repete! Evito revelar isso, seria o fim!). Não acho que é por mal, nem meu, nem dela. Sou cética quanto a isso, parece mesmo que os sentimentos mudam, se transformam e o que foi um dia já não dá para ser mais (eu vivi isso com uma  bela estrelinha e a amizade prevaleceu e não sobrou mágoas, o melhor dos fins!). Eu disse que teríamos que ter coragem para reconhecer isso, só disse, porque eu mesma não tenho! Ela me perguntou se eu era feliz do lado dela: eu fugi, disse coisas vagas, do tipo: a felicidade é relativa! Ter a decisão na mão é tudo que não queremos ter! Como disse o Pequeno Príncipe: somos responsáveis pelo que cativamos! Pois é, por saber disso, que exitamos em decidir. Covardia. Eu também disse que ela poderia decidir e saber o que era melhor para si, como também disse, que a decisão seria nossa! Estrangulamento que me desarma quando ela disse, não sei se por sentir ou se apegar ao que temos: só tenho certeza de uma coisa, que te amo e que quero continuar com você! Ela também já me disse que a incomoda saber que o que me prende a ela é esse amor. Quando ela diz, não saber o que está acontecendo consigo ou que gosta de mim como sou! Eu me desespero, pois eu pressinto o que seja, ela nega (confusão total, sabotagem nossa)...Aos poucos ela acorda, aos poucos eu adoeço. É um paradoxo. Imagine uma corda e a correnteza. Ambas precisão se salvar e uma depende da outra. Nesse momento já não importa quem está no mar ou quem está em terra firme. Uma se afoga e perde as forças, a outra perde as forças e vai sendo arrastada para dentro do mar. E agora Joana? Me sinto uma bruxa. 

domingo, 19 de julho de 2015

Covardia!

"Gargalhando e sorrindo de agonia
Se acaso eu chorar não se espante
O meu riso e o meu choro não têm planos
Eu canto a dor, o amor, o desengano
E a tristeza infinita dos amantes" 

(Agalopado, Alceu Valença)


A chuva descia mansa no céu, seu corpo nudo, no meu pouco carnudo, encaixados de um grude leve do clima tropical. Eu por baixo, tu por cima. De fora se via a sombra da forma dos nossos corpos tremula a balançar, projetada nas paredes em um vai e vem desassossegado de nós. O palpitar do seu coração batia dentro do meu. A luz da lua nossos olhos invadia. E você sussurrou mansinha: “Não foge, mas o mundo podia acabar agora!”. Em seguida o trovão rachou um raio que queimou as flores do nosso quintal. Nosso enlace do susto se desfez, não teve aperto de abraço pra juntar.  O que a loucura não persistia, a razão tola de cada dia toma lugar. 

sábado, 27 de junho de 2015

Dos tempos 15.


Antônia, ela não é tão intensa quanto seu nome induz pensar, mas nesse pouco tempo já está a dominar meus pensamentos, com toda fúria de uma paixão distraída! Já ela me acha intensa, e ainda não nos vimos, isso parece tão piegas! E machista! É pensar ser o máximo só porque outra pessoa lhe retribui atenção. Também soa imaturo, como esse verde espinhoso, que a maioria dos homens másculos portam. Uma tal vaidade! É vaidade de leão! Que faz de tudo para abater sua presa, que “só pela atenção” parece fácil. Lamentável. Depois de tanto tempo sem amar, eis que me apaixono, ou penso que me apaixonei, ou simplesmente afago o ego tentador da confiabilidade da conquista. Tolo demais. Eis das coisas que sei que não posso enfiar os pés pelas mãos, mas enfiarei. Eu estou evitando termos picantes, não quero que ela pense que é só sexo. Mas desconfio que não sei o que é. Eu deveria imaginar cada centímetro do seu corpo nu antes de transarmos. Mas ainda estou preso aos beijos. O que quero? Explodo de curiosidade a cada insinuação. Ela me atiça, eu finjo não perceber, recuou, depois volto ao ponto de partida com força. Não pensei em “vai e vem”, não com ela! Pensei em algo em 3 ou 4D. Que ela me surpreenda e que eu não broche, seja lá porque motivo for! Rezarei por isso! 

Avante, Marcio! Levante! rs...

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Escatológica!





“...é que arde o medo, onde o amor ardia...” (Viajante, Ney Matogrosso)

Senti minhas partes íntimas piscarem contraídas em si, involuntariamente. Músculos! Como podem agir por conta própria e sem contexto? Sem mirar objetos de desejos? Sem nenhum estímulo criativo? Será que assim como a pele flácida das minhas pálpebras essas outras partes minhas igualmente me fogem? És fuga ou escape? As partes se rebelam e me escapam de sentidos. É mais espantoso do que espetacular! Sempre me assusto com esses golpes corpóreos – meus pequenos e grandes lábios contraídos involuntariamente e reverberando nas pregas do meu cú! Totalmente obsceno! Você sabe o que é isso? Não jogue pedras, caso não saiba! Me é totalmente obsceno.

“...tirado os panos das paredes com todos os disfarces, tudo fica feio...” Caio F.

Sinto esse constante pulsar na vulva, como se quisesse expulsar algo que nem sei (o que é). Continua seca o que reforça o involuntário do ato, indesejável, persistente.

Treme, treme, treme-se toda. Cachorra epiléptica...late, late, late sem raiva, sem tapa, só eu ouço e o resto escapa. Bach, Bach, Bach acalma essa danada! Que só Jazz, que só Jazz...descontrolada, diz o que eu não quero saber!

“...qualquer coisa intensa como um grito...” Caio F.

Inspirado em: Sobre sete, documentário de Bruno Polidoro. 2013.

Imagem de Gustave Courbet, A origem do mundo. 

Um dia depois, de passados um ano! Feliz coincidência!



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Não, eu não escrevo mais!



Por que?

Poderia dizer: falta amor e consequentemente falta dor!

Mas, na real: falta é tempo!

Eu adoro escrever, e escrever a reflexão dos meus sentimentos é a minha especialidade. Também não escrevo mais porque cansei de escrever sobre o “tédio”, algo que torna a escrita maçante!

Talvez falte mais paixão, rs...parei com essas coisas, acho que estou a crescer sentimentalmente...

Um dia darei continuidade a minha ‘seção’ – dos tempos! Porque é sobre fases da vida, momentos, envolvendo diferentes eu (s) e inventados eu (s) (vários deles) e isso me agrada!

Enfim, para escrever, além de tempo e paixão, preciso deixar fluir a imaginação – algo que também gosto muito (pense em uma viagem sem destino certo, nunca sei onde vou parar só sei que vou indo, me deixando levar)!


Então, não sei quando retornarei a escrever aqui! Não sei mesmo! Mas um dia voltarei ^.^

Sobre a imagem: achei essa imagem navegando na internet, salvei, ela me atraiu de uma forma! Perceba que a leveza da moça se confunde com o evaporar da fumaça que sai da sua boca. Ela fuma, e, isso atualmente me atraí (dane-se o politicamente correto e a saúde). Me fascina a fumaça sendo exalada da boca. E a tatuagem no seu braço, rosas vermelhas, algo que contrasta com o tom da sua pele, quase pálida. Algo que curto, tenho e me atraí igualmente. Mas o ponto alto da imagem é o olhar: seus olhos semi serrados numa espécie de transe, introspecção, embebida em pensamentos firmes e aparentemente vagos. O resto da imagem poderia ser apagada, o olhar se torna o centro de tudo. O sustentáculo do que está a volta - inclusive o resto do seu lindo corpo, coberto pela sexy lingerie preta, o que suaviza mais ainda a sua languidez. O olhar, lateja de suspense: e faz da moça: atração fatal.

Vê-la é deixar fluir a imaginação, que não se esgota na busca tola de atingir o seu mistério. A imagem foi por mim significada. Ultrapassou: a forma, a estética, o culto ao belo. Me tocou. Tornou um ser em si e para si: é e impacta pelo que para mim passou a ser (paixão): paixão transformadora! E contudo: fez com que eu escrevesse novamente! Com toda viagem imaginativa que me é peculiar. Surgiu do nada e resultou nisso! Enfim: quando a inspiração não aparece, eis que se quisermos, temos que inventá-la. Então: o amor e a dor, também são criações necessárias para seguir na agonia prazerosa de viver! Que venha a escrita!!!    

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Só uma palavra espremida






Amor. Tudo que saí esta nesta palavra espremida. Amor. O que sobrou. Amor. Não sei se ainda presas  (as borboletas) no estômago ou em forma de nó na garganta. Amor. Pode ainda está sufocado em um peito ainda estrangulado. Amor. Restos de uma fotografia repartida em mil tacos e estes espalhados dentro de caixinhas e estas jogadas em esconderijos camuflados em uma penumbra relutante. Amor. Outras bocas em uma busca incansável do mesmo beijo. Amor. Lembranças torturantes no cair das tardes. Amor. Usar os sites de busca na esperança de saber alguma notícia. Amor. Achar um papel amarelado e no verso um nome completo com dois números de celular, CPF, RG, endereço, e-mail. Amor. Do achado concreto o mundo desabar, fazendo entrar em erupção uma angústia que a custo adormecia. Amor. Sentir o sangue circulando nas veias e os olhos saindo faíscas, tal qual, estivesse mediante a você e não apenas diante das lembranças tão remotas. Amor. Cegueira. Amor. Atrapalhar o raciocínio e usá-lo a favor do impulso do momento. Amor. Ligar ou não ligar. Amor. Liguei. Amor. Cada chamada um soco no estômago. Amor. E se atender. Amor. Falarei algo, o que. Amor. Não direi nada quero apenas ouvir a sua voz, sem que saiba que sou eu. Amor. E caso eu ouça a sua voz, será que aguentarei só ouvi-la. Amor. Vai atende logo. Amor: Após o sinal deixe seu recado na caixa de mensagens. Amor. Ufa, foi melhor assim. Amor. Droga eu ia fazer a merda do ano. Amor. Sempre faço merda. Amor. Estava demorando. Amor. Droga. Amor. Por que não te esqueço. Amor. Óh céus, me ajuda senhor. Amor. E o pior é que nem deve lembrar que eu existo. Amor. Eu sou patética. Amor. Devo sofrer de carência aguda. Amor. E ainda me gabo da solidão. Amor. Tá vendo como não ia dá certo. Amor. Será que vou morrer te amando. Amor. Isso não é drama é pura tragédia. Amor. Volta para mim. Amor. Diz que também se lembra. Amor. Que sente saudades. Amor. Não vai acontecer. Amor. Eu sei. Amor. Continuará sendo só uma palavra espremida. Amor. Agora tenho dificuldade de escrevê-la, pronuncia-la, vê-la, senti-la. Amor. Só.